Di grátis

Uma única vez eu comprei café solúvel, pra uma receita. Acabei não fazendo e o café estragou no armário, fechado. Não temos filtro nem nada, porque não temos o hábito de tomar café. Minha cafeína vem toda do matte leão. Por isso, vocês imaginam o desgosto do Luiz quando eu me aproximo das demonstradoras da Dolce Gusto fingindo que nunca vi na vida e quero provar um cafezinho. Perdi as contas de quantas vezes fiz isso. Provei também da concorrente, a Nespresso. Enquanto da Dolce Gusto sempre deram o mesmo café forte, no da Nespresso eu escolhi o com toque floral e gostei mais. O chato é que tive ficar um tempão lá até a moça me oferecer o café. Eu estava de macacão e tênis e ela quase irredutível.

Mas não pensem que sou do tipo que fila qualquer amostra grátis, porque eu tenho minha dignidade. Nunca enfrento filas. Sempre finjo que estou passando por ali por acaso – nem que pra isso eu tenha que dar uma volta enorme por detrás da demostradora. Por isso nunca comi pipoca na Leroy Merlin, onde as pessoas esperam a pipoca ainda estourando na panela; prefiro sempre a pipoca do Balarotti, distribuida tão generosamente que a gente pega na entrada e na saída. Tem até pacote individual com salzinho.

O Luiz não pode se dizer surpreendido. Quando começamos a namorar, levei-o nos hare-krishna pra comer comida indiana de graça comigo. Foi um hábito que adquiri na faculdade, no tempo em que nem havia restaurante de comida indiana em Curitiba (e nem faria diferença, naquela época de vacas famintas). Sempre tive simpatia pelos hare-krishna e sempre me sentia bem nos rituais. Mas a prasada*, hum! Foi a única comida que me fez despertar com desejo de madrugada, como quem acorda ardente depois de um sonho erótico. Só não batia ponto lá porque não queria ser convertida. Conhecia as pessoas de vista, vi diferentes rituais, fui atrás deles nas várias mudanças de endereço. Aí veio o casamento e o Luiz preferiu trocar comida por dinheiro e não por ritual. Não sei se é o lance espiritual ou o quê – o fato é que nunca senti pela comida dos restaurantes a mesma emoção que sentia ao comer uma prasada…

Sabiam que o quiosque de Pretzels do Shopping Barigüi fechou? Uma perda irreparável para os gourmets de amostras…


* prasada: alimento oferecido de forma ritualística a Krishna. Mais informações aqui e aqui.

8 comentários sobre “Di grátis

  1. Eu teria vergonha de escrever sobre essas coisas, mas já que tu começou, teve uma vez que tomei um suco tãoooo bom (nutrinho preparado com leite) que fiz meu filho ir buscar mais um pra mim.

    Comida indiana? aqui em criciúma não tem nem cheiro disso…

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  2. agora no laboratório que eu faço exame tem que pagar o cafezinho.
    também; quando digrátis, ia a galera lá tomar café da manhã com bolachinhas… :/

    e eu sou daquelas que morre de vergonha de pegar amostra em supermercado, padaria, shopping… minha mãe, por sua vez, não pode nem ver uma barraquinha que já corre lá, faz amizade com a demonstradora e ainda sai com a
    refeição completa.

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  3. O estande de pretzels do Mueller continua aberto e oferecendo pedacinhos. E na época da faculdade eu vivia em vernissages no Largo da Ordem: minhas primeiras taças de vinho.

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  4. Ah! sobre pretzel quero comentar. Eu sempre dei aquelas beliscadinhas nesses pretzels do quiosque do Müeller. Um belo dia, meu marido e eu resolvemos comprar um inteiro, mas gulosos que somos, uma para cada. Segredo do pretzel: ele só é gostoso em pedacinhos…uó, uó, uó!

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  5. Eu sou do pior tipo, da que pega o produto na prateleira depois da amostra e na horar de pagar as compras deixa o item no caixa. horrievl, eu sei…
    Xero!

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