Convite infeliz

Eu era monitora de uma matéria na faculdade e ele era meu aluno. Fui imediatamente com a cara ao ver que ele deu um jeito de falar de Star Trek no meio do relatório sobre o rato usado nas experiências. Não tínhamos amigos em comum e nem atração física; sempre que nos encontrávamos era divertido. Um dia disse pra ele que estava namorando sério e – surpresa – ele já tinha estagiado na empresa em que o Luiz trabalhava. Ele morava com a namorada.

Os anos se passaram eu o encontrava pela rua, com a namorada/esposa. Ela não era lá muito falante, mas fícavamos os três conversando alguns minutos onde quer que nos encontrassemos. Anos depois, ele não me reconheceu na academia apesar de continuar a receber e-mails meus regularmente. E foi na academia que ele cometeu o erro de me convidar pra festa de aniversário da mulher dele. Disse que ela não estava lá, mas que sem dúvida iria adorar a nossa presença. Ele sabia que eu e o Luiz detestamos ambientes de balada, mas insistiu, argumentou e jurou uma festa reservada, com pessoas interessantes interagindo. Fomos. E voltamos em tempo recorde.

Foi chato, não rolou interação nenhuma, mas tudo bem. O lugar estava barulhento, não dava pra conversar, gente feia e bêbada se comia com os olhos, mas tudo bem. Perdemos tempo, dinheiro e quase jogamos nossas roupas fora pelo fedor de cigarro, mas tudo bem. Insistir pra obter a presença em um local detestavel para o convidado não é legal, mas também não é imperdoável. O que matou nossa amizade foi a maneira como a aniversariante nos tratou. Não olhou na nossa cara, tirava fotos de todos menos de nós, deixou claro que odiou nossa presença. Ela nos tratou ostensivamente mal e até hoje eu não sei se ele notou. Um climão. Nós não temos culpa se a comunicação entre eles têm ruído.

Não adianta: casal é meio uma pessoa só. Não vou dizer como a mulher dos outros deve se portar. Hoje eu o encontro na rua e finjo que não vejo.
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2 comentários sobre “Convite infeliz

  1. Preciso te chamar de anti social de novo?
    É assim ó.As vezes a gente faz uma coisa só pra agradar outra pessoa entendeu?Mesmo que vc não goste da coisa que vai fazer.Não é se anular,é ser flexível.
    Eu já fui em show de pagode pra agradar uma amiga.Odeio pagode,mas ela adora.Ela ficou feliz,eu fiquei feliz por tabela.

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