Do lar

Eu já tentei me descrever como Do Lar, mas era brincando, uma provocação. Porque nunca me vi dessa maneira. Talvez por preconceito, de associar dona-de-casa à mulheres sem aspiração, que sonham em ter filhos e todas as panelas brilhando. Sempre estive em tantos projetos, todos fora de casa e visando algo maior, que isso nunca me passou seriamente pela minha cabeça ou da do Luiz*.

Eis que um dia desses eu estava na academia, conversando com uma colega de doutorado do meu irmão:

(ela) O que você faz?
(eu) Estou desempregada.
(ela) Mas a sua formação…
(eu) Eu sou socióloga.
(ela) Você é casada.
(eu) Sou.
(ela) Então você é dona de casa.
(eu) …

(ela) Mas é difícil, né? É uma dessas coisas que as pessoas não dão valor.

(eu) …!

(ela) Tem um monte de coisas pra cuidar, dá trabalho, é cansativo. É um trabalho importante como qualquer outro.

(eu) … é.

Eu jamais pensei que alguém seria condescendente comigo falando do quanto o trabalho doméstico é digno. Olha que eu disse que era socióloga, mas isso parece ser menor do que ser casada (?). Eu só dei risada. Até agora não sei se ela foi gentil ou cruel.


* Antigamente eu diria que nem na dos meus amigos, mas depois dessa eu já tenho as minhas dúvidas.
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5 comentários sobre “Do lar

  1. diria que foi lugar-comum.

    e, olha, tb sou formada, tb super especializada, tb tenho preconceito.
    mas nesses últimos meses juro pra vc: apesar do cansaço, apesar de não aguentar umas coisas, me encontrei como nunca fazendo almoço pra galera e limpando o chão de casa.

    então, sei lá. seja do-lar. ser socióloga tá melhor?
    pois é. ser arqueóloga não significa NADA nesses dias!

    =*

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  2. Minha mãe é só do-lar e sempre diz que nada entristece mais ela do que ter que escrever em alguma ficha de inscrição, por exemplo, que a sua profissão é “do lar”. Dia desses ela disse que, falando isso, se sente igual a uma máquina de lavar ou a um fogão.

    😦

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  3. Eu acho que não tem nada de indigno se a moça virar “do lar”, desde que a pessoa se sinta realizada fazendo isso tipo a própria Quéroul disse que se sentia. Eu acho que se há essa opção e a pessoa se sente feliz adotando este estilo de vida.

    Eu acho que cada um tem que criar as suas próprias metas a serem alcançadas de acordo com os seus valores. Por que todas as pessoas tem que ter as mesmas metas de realização? Podem haver pessoas que optem por ser bem-sucedidas profissionalmente, outras dêem valor ao convívio familiar, outras a questão do retorno financeiro.

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  4. Sempre trabalhei fora e qdo cheguei em atibaia trabalha o dia inteiro e sentia muita falta da minha casa. Não tinha tempo pra organizar, limpar como gostaria.

    Agora devoltaa minha profissão tenho mais tempoTempo de organizar as roupas, a geladeira e a limpeza. Qdopenso em algo pra fazerdealmoço curto muito ir a feira ou quitandae escolher os legumes e verdurasbemfresquinhos.

    Um blog que me ajudou muito foi o “Rainhas do Lar”.

    Não acho ruim essa historia de ser do lar, mas se te incomoda…

    o blog:http://www.rainhasdolar.com/rainhas.php

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