Sexo ruidoso

Todo mundo parece ter uma história sobre madrugada insone com vizinhos fazendo sexo. Finalmente tenho a minha e posso garantir que esse tipo de coisa só é interessante quando a gente conta. Foi na madrugada de domingo pra segunda, um modo péssimo de começar a semana. Depois que essa nova vizinha se mudou, demos graças aos céus porque nós sofriamos muito com o barulho da vizinha anterior. Jamais poderíamos imaginar que uma mulher que vem pra cá com duas crianças com menos de oito anos fosse capaz de passar a madrugada inteira gritando de prazer. (Se uma dessas crianças se tornar um problema no futuro, podem mandar este post pro psiquiatra.)

 

O namorado dela praticamente vive aí. Ele tem uma Mercedez Classe A e é a versão almofadinha do Marco Luque. Ela, na faixa dos seus trinta, tem a sombrancelha desenhada e usa calça jeans de cintura alta com cinto e suspensório. Não sei o que eles tomaram naquela noite; ele sem dúvida fez alguma coisa ou aprendeu tantra. Porque do ponto em que a coisa começou a me incomodar, umas quatro ele já tinha dado. Se fossem apenas os gemidos, ainda dava pra tentar dormir; o problema era o som da cama (e do guarda-roupa?) batendo na parede. O griteiro durou mais de uma hora. Primeiro eu bati discretamente, uma coisa meio “olha, gente, estamos ouvindo, manerem”. Depois bati com força e finalmente quase quebrei as mãos de tanto esmurrar aquela parede. Só aí eles arrastaram a cama e foram tomar um banho. Devem ter dormido como anjos enquanto eu ainda bufava de ódio. Na noite seguinte, em compensação, a casa parecia estar vazia, de tão silenciosa. Se fossem japoneses, pensaria que eles cometeram suicídio pela desonra.

 

A história mais interessante sobre isso que eu já ouvi foi de uma amiga do Luiz. Ela vivia num conjunto de prédios ao lado do Shopping Barigüi. Os gritos aconteciam sempre nos mesmo dias da semana e no mesmo horário. Os vizinhos se cumprimentavam de madrugada pelas sacadas, tentando determinar a localização exata do barulho. Além dos gritos usuais, à medida em que se aproximava do orgasmo, a mulher começava a gritar: VAI CAMPEÃO, VAI CAMPEÃO!
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Até o fechamento desta edição, o Campeão não foi descoberto.
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8 comentários sobre “Sexo ruidoso

  1. Como a minha mulher é de Marília, já passamos alguns encontros pré-casamento em hotéis. E como a grana era curta, pegamos alguns meia-boca. Em uma das vezes, um casal vizinho não só transava com muito barulho, como a mulher ainda gritava “põe no meu c* gostoso”. Quer dizer, eu não sei se havia vírgula antes de “gostoso” e nem a perguntei.

    Depois, eu e a minha mulher começamos a morar juntos em um kitnet na Aclimação, centro de São Paulo. Lá também a baixaria rolava solta, com direito a brigas homéricas seguidas de sexo selvagem de um casalzinho na faixa dos vinte e poucos (que se separou em pleno dia dos namorados, quando ele chegou às 5h da manhã em casa!).

    Engraçado que toda essa putaria não incomodava um policial aposentado – o mesmo que expulsou um provável maconheiro sob ameaça de morte.

    Enfim, nunca achei graça nessas prosopopeias. Mas está lavrado.

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  2. Eu não tenho uma história assim… Só lembro de ter ouvido gritos de prazer em motéis. Mas aí era até estimulante.

    Ou o cara é um atleta do sexo ou a mulher começa a berrar ao menor toque. Quatro? Acho que me sentiria constrangido se estivesse ouvindo. Vá que a minha mulher me exija um desempenho desses!

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  3. Não acredito em casais espalhafatosos: para mim, a intensidade do sexo é visceral, não necessariamente verbal. Pra mim, isso é performance de mulher que já foi ou é profissional do sexo e ainda não se livrou dos cacoetes da profissão: o exagero que autentique o ego masculino, como parte do pacote de serviços oferecidos. Na real, mulher escandalosa nem deve gozar, ninguem consegue gozar fazendo tanto malabarismo e decorando tanto texto!

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  4. Graças a Deus aqui no meu prédio os quartos de todos os apartamentos dão para a rua, e a parede que liga os apartamentos é a da sala. Minha vizinha é uma senhora nos seus 50 anos e não costuma nem dar festa. Em compensação da janela da cozinha você ouve tudo o que os apartamentos de baixo e de cima estão fazendo (e eles provavelmente ouvem o que nós estamos fazendo também), tem uma família inclusive que eu acho que deve morar na cozinha porque passam O DIA inteiro entre uma conversa, uma briga, um grito,….

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  5. Hahahahahaha!!!!!

    Concordo plenamente. É uma situação horrível!

    Dias atrás fui para outra cidade, a trabalho. Quando cheguei no hotel que haviam reservado para mim, já passava da meia-noite, eu estava com sono atrasado (quem não está quando se tem um nenê em casa?) e as atividades começavam no outro dia, às 8:00. Eu teria que ser eloquente, além parecer atento e interessado nas falas de colegas.
    Eu ainda não havia deitado quando a moça do quarto ao lado se fez ouvir. Alto e claro, com todas as palavras que se possa imaginar, e não apenas gemidos.
    Aquilo durou horas. Eu disse HORAS.
    De tanto sono, já não sabia se ainda era de verdade, ou se estava sonhando.
    Pensando bem, estava acordado. Se fosse sonho, seria bom.

    Dormi umas duas horas e o despertador tocou. Que raiva!

    No café, eu fiquei encarando todos os casais com olhos furiosos (podem ser estes!). Quando voltei, contei para minha mulher que me disse o óbvio: não adiantava procurar no café… os gatinhos deveriam estar dormindo o sono dos anjos naquele momento…

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