Testes

Eu já falei várias vezes – meio brincando, meio sério – que só acredito na declaração de amor de um homem se ela vier acompanhada de alianças. Porque os homens se acham muito sinceros por não dizerem com todas as letras que nos amam; mas sua maneira omitir e nos deixar fazer todos os planos não deixa de ser uma forma de mentir. Mesmo dos amigos mais fiéis pode vir uma traição, então a gente fica calejada. Começa a ver todos como potencialmente nocivos e se sente madura por isso. Passa a jogar o jogo do perguntar várias vezes a mesma coisa,pra ver se a versão muda. Ou só se convence quando outro confirma – mas não um outro qualquer, tem que ser um outro de fora. Como se fosse muito sutil nunca dar crédito à primeira versão. Mas isso só se aplica com as coisas boas, porque acreditar na sujeira é rapidinho.

O problema é que isso tudo é uma neurose nossa; o outro não tem nada a ver com isso, ele não estava lá. Desconfiança enche o saco e quem pode vai embora. Com toda razão. Penso sempre numa historinha do Osho, que é mais ou menos assim:

Um homem ficou sabendo que uma das pedras de uma imensa praia era a pedra filosofal. Pra saber qual é, bastaria pegá-la na mão – ela estaria fria. O problema é que a praia era coberta de pedras. Então, para não repetir as pedras, ele pegava cada pedra, trocava de mão para sentir a temperatura e depois a jogava no mar. Ele ia todos os dias na praia e repetiu esse gesto durante dias, meses, anos. Até que um dia ele pegou a pedra fria. Mas o gesto estava tão automatizado, que quando ele se deu conta, já havia trocado de mão e atirado a pedra filosofal no mar…

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4 comentários sobre “Testes

  1. Eu não sei, parece que chega uma certa fase na vida da gente que é meio complicado achar alguém que não esteja na defensiva, por já ter quebrado a cara. E fica essas sensação de falta de entrega, mas essas paranóia de ficar fiscalizando o outro, aí fica difícil os relacionamentos não irem se desgastando.

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