A volta

Eu nunca quis entrar no Grupo de Estudos mas meu orientador me obrigou. Não foi nada explícito – quando eu mandava e-mail e dizia que precisava conversar, recebia um “depois da reunião a gente conversa”. E assim fui ficando. Por falar em troca de e-mails, ela quase sempre me fazia chorar. Primeiro porque eu estava muito sensível e depois porque durante quase todo mestrado eu e meu orientador não nos bicavamos. Eu, querendo fazer tudo pra ontem. Ele, resistiu tanto pra ler o meu trabalho que quando o fez a dissertação estava pronta. Só a partir daí ele começou a ver meu valor.

Na verdade, estranho mesmo era o fato de eu não fazer questão de estar no Grupo. Eles realizam encontros, estudam, centralizam contatos. Isso sem falar que meu orientador vai se aposentar e há uma disputa não-declarada pela vaga. Disputa que achavam que eu era favorita, por ser uma das poucas do grupo com diploma de sociologia. Mas minha cabeça estava em outra. E estava tão em outra que acabei indo embora. Mandei um e-mail ao meu orientador dizendo que estava largando tudo pra dançar. Dei tchau a ele, ao Grupo, à sociologia.

Isso foi há mais de dois anos – anos intensos, marcantes, essenciais. Aí eu tive que entrar em contato com ele para dar um exemplar do livro. Ele ficou feliz e disse que precisava de mais um, para entrar na avaliação da CAPES. E finalmente nos encontramos pessoalmente. Muito papo e digo para ele que pretendo voltar para a sociologia. Ele, tirando sarro, me perguntou se eu ia largar a dança. Eu disse que não, e comecei a ensaiar explicações sobre o quanto a área é difícil, etc, quando ele me interrompeu:

– Você é muito jovem ainda, tem tempo pra viver essas coisas.

Não tem nem o que dizer. Só amor.
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5 comentários sobre “A volta

  1. Mulheres se contentam com pouco,você parece mais jovem,você esta magra,não tem rugas,já homens não,homens se contentam com…bom…tá bom,estou errado,qualquer cafuné já nos transforma em carneirinhos.

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