Ódio amoroso ou Amor odioso

Um médico me contou que existe um tipo de paciente que chega numa consulta e reclama de tudo. Diz que os remédios não foram indicados direito, que o médico não entendeu a queixa, não prestou atenção no que deveria, enfim, reclama de tanta coisa que dá a entender que ele é um péssimo profissional. É uma consulta desconfortável, onde ele se sente julgado e condenado todo o tempo. Quando a criatura vai embora, ele tem certeza de que ela deixará uma reclamação e nunca mais aparecerá.

Mas aparece. Quem sabe, mesmo depois da reclamação. E quando alguém lhe oferece outro médico, ainda é capaz de dizer: “Acha que Fulano vai conseguir se livrar de mim? Pois não vai mesmo, faço questão de me consultar com ele”. Então essa pessoa se torna o aborrecimento semanal ou periódico daquele médico. Como os pacientes mais dedicados, o fulano é capaz de mudar de horário ou esperar durante horas pra se consultar com o seu médico desafeto favorito. E sempre assim, criticando, desvalorizando, achando que está tudo errado.

Eu acredito que o nome disso é amor. Que algumas pessoas são tão patológicas que não conseguem interagir sem ser de forma crítica e desagradável. Claro que elas não reconhecem nem pra si mesmas que o que as motiva é atração, interesse e/ou admiração. Ao elogiar, concordar ou tratar bem, elas se sentem rebaixadas de alguma forma; por isso a necessidade de maltratarem para ficar por cima. Um amor que parece castigo.
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5 comentários sobre “Ódio amoroso ou Amor odioso

  1. Eu acho que eu tenho uma teoria que explica esse tipo de tratamento. Têm gente que não precisa concordar com tudo pra confiar numa pessoa. Eu acho que as divergências, são naturais e porque se discorda em algumas coisas com uma pessoa não quer dizer que todas as virtudes das pessoas são invalidadas.

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  2. Caminhante, eu tava navegando na página pra mostrar pra um amigo (pois passei aquele trecho pra mais uma pessoa ainda) e acabei clicando no lixinho sem querer 😦

    Ele tem TUDO a ver com um momento que estamos passando “entre amigos”. É incrível como muitas, muitas coisas que vc escreve têm muito em comum com o que observo pelos dias afora…

    E repito, leio seu blog como se lesse um livro, com uma quase garantia de que os capítulos sempre continuam, se vc nunca parar!

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