Outro barro

Sônia Braga, por exemplo. Essa não foi feita do mesmo barro que eu. Algumas mulheres têm uma sexualidade exuberante, que salta em todos os seus gestos, o sexo como uma verdadeira forma de expressão. Alguns vêem como putaria pura mas eu acho que vai além. Penso no curriculo amoroso da Sônia Braga (nacionais: Caetano, Chico, Djavan, Pelé, dentro outros. Internacionais: Clint Eastwood, Robert Redford, Warren Beatty, Mick Jagger, Pat Metheny, entre outros) e imagino que ela deve ser muito interessante e desencanada. Algo que alguém (eu) que não gosta nem que estranhos a olhem demais nunca alcançará.

Qualquer um com grande capacidade de vendas ou de ganhar dinheiro não se parece comigo. Nas novelas qualquer um que se proponha fica rico, mas se tudo fosse tão simples… Não apenas não consigo como até mesmo não gosto de convencer. Vender me deixa tão impaciente que ou eu daria o produto de graça ou mandaria o cliente à merda por ele não reconhecer o valor do que ofereço. Totalmente explicado porque minhas esculturas estão encalhadas – queria muito alguém com esse talento pra me empresariar! Ver o Roberto Justus (representante perfeito do tipo) migrando para a área artística me traz um certo consolo!

Por último, qualquer artista expressivo me faz desejar ser diferente. De Maria Bethânia a Maria Callas, Isadora Duncan a Ana Botafogo, Giotto a Caravaggio, Victor Brecheret a Camille Claudel… há neles coragem e rebeldia, um toque pessoal e universal. Que pitada a mais de alguma coisa esse pessoal têm? Penso que há neles uma necessidade de se expressar mais forte do que o pudor ou senso de ridículo. Quando a gente lê seus nomes com letras douradas, não tem noção do que o que eles fizeram foi desmerecido antes de ser louvado. Que eles se propunham a experimentar, a mostrar mesmo pra quem não pediu, algo meio:
A moça de amarelo é minha ex-professora de contemporâneo. Ela nem vai muito com a minha cara, mas eu a considero uma Artista. Dessas de um barro diferente do meu.
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4 comentários sobre “Outro barro

  1. Nossa, eu não tinha nem IDÉIA de que a Sônia Braga tinha essa lista tão grande! Bom, pensando bem, eu não tinha nem idéia de quem era Sônia Braga (eu tava confundindo com a Sônia Abrão. AHAUHAUAHAUAHAU Só depois que eu vi a lista que eu pensei melhor).

    Sobre vendas, eu acho que daria certo, sim. Mas depende. Se eu tivesse clientes como eu ou como a mamãe, eu ia AMAR a minha profissão. Mas se eu tivesse clientes “só estou olhando e indo embora”, eu acho que imaginaria uma morte bem dolorosa pra pessoa. Outra coisa que deve ser odiosa, na vida de um vendedor, é ouvir a clássica: “Vou dar mais uma olhada, depois eu volto”. Ugh!

    Mas sobre artistas diferentes, eu simplesmente desanimei de todos eles agora, porque passei uma madrugada fazendo um trabalho de Artes. Chatice. Eu sei que você gosta porque tem a ver com você, mas como diria um amigo meu, eu acho que arte minha é só meu barro – e não tô falando de nenhuma cena de Ghost. hahaha

    Beijo, dona Fernanda!

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  2. Ah, eu penso isso em relação as pessoas que eu admiro. Queria ser que nem elas, apesar de gostar de mim assim. Acho que isso é normal, vindo de quem admira…

    (domingo fui na exposição “Vanguarda Russa”, vi umas esculturas e lembrei de ti)

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  3. Assisti ao vídeo e, claro, RI LITROS. Evidências – que pra mim fica limitada a momentos de bebedeira + fossa no videokê – é algo que eu não conseguiria encaixar na MINHA concepção de dança contemporânea.

    Mas, não dá pra negar: a coragem de sua ex-professora fazer isso, em pleno centro curitibano é admirável.

    Quanto ao fato de ser feita de outro barro, a verdade é que SER VANGUARDA dá um trabalho danado. E, nos dias de hoje, com a velocidade que as coisas passam, fica cada vez mais difícil fazer coisas realmente diferentes. Os limites são outros, as oportunidades idem.

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