Burro-especialista

Na terminologia psico-empresarial-idiota do momento, o nome disso é foco. Uma pessoa focada seria aquela que tem um objetivo e jamais se desvia dele. Na prática, o que vemos são criaturas que só respiram e vivem pra um assunto. Nos funcionários, quem lê Quem Mexeu no Meu Queijo pra baixo e vê qualquer filme com equipes como uma metáfora da vida empresarial; no ballet, gente que não apenas ignora qualquer outra forma de expressão artística como também ignora qualquer outra dança que não seja o ballet; nas religiões, naqueles que só lêem os livros sagrados e só ouvem musicas de louvor. Eu poderia me estender infinitamente nos exemplos, porque pra ser burro-especialista basta encontrar um assunto.

O efeito imediato é que esse tipo de gente é completamente mala. Se você quer perguntar algo sobre a área de interesse dele, vá em frente. Mas depois de ouvir a resposta, saia correndo – é tão raro alguém dar ouvidos a um tipo desses que todos são carentes*. Ironicamente, ser burro-especialista não ajuda ninguém a ser bom no que faz. Quem não se desvia, quem só trilha pelo conhecido, quem vive em função da cartilha, jamais é criativo. Pra ser bom, é preciso ter o que dizer. E ninguém tem o que dizer se não saiu viveu.
* O que nos leva ao antigo dilema Tostines: são carentes porque são malas ou são malas porque são carentes?
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2 comentários sobre “Burro-especialista

  1. Hoje mesmo eu estava pensando nisso: me interesso por vários assuntos, mas não sou profunda conhecedora de nada. Por exemplo: gosto de filmes, mas não me sentiria confortável se “precisasse” conversar por algumas horas seguidas com gente que entende muito de cinema. Até cheguei a cogitar a possibilidade de me especializar em um assunto – um desses que eu gosto por esporte -, mas logo desisti porque, sim, conheço muitos especialistas em várias coisas e todos são muito chatos. Então, continuarei sendo uma burra-generalista mesmo. 8D

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