A Dádiva de Mauss

O Ensaio sobre a Dádiva é um clássico na área de ciências sociais. Ao analisar a troca ritual de colares nas Ilhas Trobiand (Kula) e de cobertores na Melanésia (Potlalch) Mauss descobre 3 regras simples que são a essência de qualquer sistema de troca que se possa pensar:

1- A obrigação de dar

2 -A obrigação de receber
3- A obrigação de retribuir

De maneira bem resumida, podemos entender assim: quem tem em abundância não é reconhecido e bem visto se não distribui de alguma forma essa riqueza. Por isso a primeira regra, que obriga a circulação dos bens. Quando um bem é oferecido, aquele que o recebe está na obrigação de acolher. É extremamente indelicado recusar um presente, o que gera a segunda regra. Mas, ao receber o presente, uma hierarquia se estabelece: aquele que dá fica numa posição superior ao que recebe. Para compensar essa dívida, o que recebe o presente precisa futuramente retribuí-lo – a terceira regra. A retribuição deve sempre tentar superar o que foi dado; e quanto mais tempo passa, maior deve ser a retribuição. Só uma retribuição generosa é capaz de reverter a posição de inferioridade que o sujeito se colocou ao receber a dádiva. Estabelecer juros é uma tentativa de quitar essa obrigação abstrata. O pobre, que ao receber a esmola pede para que Deus Lhe Pague, coloca sobre o Divino o papel de retribuir a uma dádiva fora de suas possibilidades.

(Adianta pedir pra ignorarem essa pressão toda ao me presentear dia 13?)
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2 comentários sobre “A Dádiva de Mauss

  1. hum, q tal pensar q as pessoas gostam de presentear akelas pessoas q são importantes em sua vida e q fazem toda a diferença?? hein?? hein??

    nem q seja uma florzinha singela…um presente, pra mim, representa um momento q alguém parou – nem q seja um minutinho só – e pensou na gente! não é lindo isso???

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  2. Hahahaha, Fer. Eu dia dizer que achava meio olho por olho dente por dente que onde fica a regra do “alguém te dá e você um dia dá pra outro alguém” e tal essa “dádiva”, mas diante da situação, acho que se encaixa perfeitamente. 🙂 Um beijão.

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