Volta pra casa

A primeira vez que andei de avião sem os meus pais eu tinha 5 anos… Pai que morava longe, namorados e amigos que moravam longe, intercâmbio e passeios – por um motivo ou outro, eu sempre viajei muito e sozinha. Ao contrário da maioria das pessoas, eu prefiro viajar sozinha. Gosto de entrar no ônibus sozinha, de olhar no mapa, de andar a pé. Gosto de não ter que conversar com um amigo ou de fazer um amigo inesperado por aí. Minhas viagens sempre tiveram uma mistura ótima de solidão e companhia.

Quando eu voltava pra Curitiba, sempre me sentia meio mal. Tinha a impressão de que tudo estava errado, e não sabia direito como e o quê consertar. Tudo estava fora do lugar, a verdade estava lá fora. Lá fora os amigos eram mais queridos, eu era mais livre, tudo era mais feliz. Voltar sempre me dava a vontade de não ter voltado. Gostava da sensação de estar em trânsito.

Como isso acontecia sempre, formulei umas teorias. Primeiro: a grama é mais verde no vizinho. Se eu ficasse, se eu não estivesse em trânsito, se tivesse mais convívio… tudo ficaria tão banal como a minha vida aqui. Será que aquelas pessoas eram maravilhosas mesmo? A outra teoria é que tudo estava errado porque eu moro em Curitiba. Nos outros lugares as pessoas estão mais disponíveis e aqui a vida é mais cinza mesmo. Esse céu eternamente fechado é muito deprimente. É claro que passei a ter uma certa antipatia pela minha cidade depois de chegar a esta conclusão.

Os anos se passaram. Eu conheci o Luiz e parei um pouco. A primeira viagem que eu fiz sozinha depois de casada foi há 2 anos atrás, para o Rio de Janeiro. A viagem foi incrível – passeei, andei, fui a orkontros, fiz amigos, tirei fotos. Eu amei a cidade e me senti muito bem lá, apesar de tudo o que a gente vê no notíciário. Foram 5 dias muito felizes.

Quando cheguei em casa, a surpresa: eu me senti ótima. Apesar de tudo o que eu tinha vivido, aqui é o melhor lugar do mundo. Finalmente eu voltava para um lugar onde queria estar.

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3 comentários sobre “Volta pra casa

  1. Eu me perco muito fácil, por isso preciso estar acompanhada. Nunca tive a coragem de viajar sozinha. Só Deus sabe onde eu iria parar, pois meu senso de localização é horrorível. Você é corajosa, hein menina!

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