Calor, calor…

Acho que a única cidade que faz um calor comparável ao de Curitiba é São Paulo. A diferença é que não temos nuvem de poluição – nosso abafamento é (creio) uma condição natural, por estarmos localizados num planalto abaixo de outro planalto. O céu continua cinza como sempre, e as noites não têm estrelas como sempre. Cá embaixo, ficamos suados logo depois de tomar banho, porque não há vento de jeito nenhum.

Mas sabe qual o pior de tudo, pior mesmo? São os hábitos, que morrem devagar. Qualquer mulher de outra cidade que vem morar aqui nota que nesta cidade não é possível andar de saia mais que um palmo acima do joelho. Quer dizer, possível é. O problema é a quantidade de olhares tarados, constantes e ininterruptos, como se você fosse uma mulher que largou a burca. São tantos e de tal maneira, que é difícil se animar a sair com as pernas de fora. Eu, por exemplo, enfrentaria 2 bares, uma construção de um prédio e 2 cobradores até entrar no ônibus. Contando mais homens no ônibus, no terminal, no outro ônibus… Fazer esse cálculo resto da vida e todos os dias, influenciaria os hábitos das mais encaloradas das mulheres… (eu, provavelmente)

Aqui, pode estar insuportável, mas você nunca encontra uma mulher andando de short na rua. Curitiba é a capital das bermudas abaixo dos joelhos, das saias compridas e das calças jeans – mesmo com sensação térmica de 40 graus.

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Um comentário sobre “Calor, calor…

  1. Mais de um palmo acima do joelho já é considerado curto em qualquer lugar, menos em baile funqui e perfis devassos do orkut, é claro.

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