Tempo

Logo nos primórdios do cinema e da TV, autores de chamada Escola de Frankfurt criticaram a massificação do conhecimento. Haveria na cópia apenas um pálido reflexo da real apreciação artística. As formas massificadas de arte destruiriam a individualidade. Diante da apresentação dessa teoria tão polêmica, perguntei para o professor:

– Então se ao invés de ouvir uma gravação de piano, eu faço um pianista tocar ao vivo, para mim, uma peça. Assim vale?

Ele respondeu:
– Mesmo assim não. Você não teria cultura para ouvir a peça, entende?

Não entendi assim que ele disse. Mas hoje, quando coloco um CD de música erudita e cada música tem pelo menos meia hora, penso que realmente não devo ter cultura para ouvir aquilo. Ninguém tem. Aquela música foi feita para pessoas cujo tempo passava de uma maneira diferente, quando passar 30 minutos apreciando uma obra de arte era normal. Hoje fazemos tanta coisa em meia hora, meia hora é tanto tempo para perder, tanto tempo para se concentrar!

Quando pego um disco da Rita Lee, gravado nos anos 80, quase morro de tédio com os instrumentais. Penso – cadê a música? Em outras épocas, as músicas podiam durar 1 hora. Nos anos 80, 5 minutos. Hoje, 3 minutos e olhe lá. A Escola de Frankfurt tem razão: não temos mais cultura para apreciar certo tipo de música.

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