Preconceitos

Todos temos preconceitos. E nada mais detestável do que alguém que se acha tão puro a ponto de declarar que não os tem.

Alguns nos são transmitidos meio geneticamente – nossa família nos ensina assim, sempre fez assim. Outros vão sendo adquiridos ao longo da vida. Quando vemos, temos uma coleção de preconceitos estúpidos, incofessáveis, mas que atuam de maneira decisiva no nosso dia a dia. Dos meus estúpidos e inconfessáveis, há o de não gostar de Lauras, de ter prevenção contra crentes e carolas, de achar que nunca me dou bem com mulheres de cabelo comprido e cacheado, de achar que todo norte-americano é burro, de achar que toda mulher que se veste de rosa é fútil. Assim como não deixa de ser uma forma de pré-conceito eu ter simpatia por pessoas que vestem preto e tem um monte de tatuagens, de achar que todo espírita é caridoso, de acreditar que todo carioca é extrovertido e simpático.

Mas todos esses preconceitos são inofensivos. Acredito que se conscientizar de que algo é um julgamento já é um grande passo. Pior, muito pior, quando as coisas são naturalizadas a tal ponto de nem nos darmos conta. Como um deficiente visual que me disse que as mulheres só aproximam dele para ajudá-lo, uma coisa meio maternal. Afinal, ele é homem. Ele sente desejo por algumas delas e gostaria que elas o vissem como macho.

Há forma mais cruel de preconceito?

2 comentários sobre “Preconceitos

  1. Eu sempre tive comigo o seguinte: Ja que so vou viver uma vez, não vou passar vontade…. se eu fosse o seguinho (deficiente visual) ja ia apertando na malicia e pedindo um selinho ou telefone…. quanto a preconceitos, todos tem, eu mesmo devo ter algum.. ah sim.. tenho contra os malditos coxas-brancas. Sei lá essa porra de preconceito… o lance hoje é o pós-conceito…. primeiro voce experimenta depois tira sua opnião.. tipo assim.. seder o esfincter para outra pessoar ter com voce um contato vetorial num mesmo sentido… acho que é por ai… vou postar algo no meu blog (o menos visitado da internet sul americana). Sei lá… o que to dizendo…

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  2. Realmente, a gente não se dá conta e às vezes, mesmo achando que o preconceito já não existe, ele nos toma de assalto em pequenas atitudes. É necessária uma eterna vigilância nti-preconceito. E gostei da idéia do pós-conceito.

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