Cães

Quando eu era criança, pessoas que chamavam o cachorro de filho eram consideradas malucas. Os cachorros comiam os nossos restos de comida, pegavam chuva, dormiam ao relento e tomavam banho de torneira no quintal. O máximo de cuidado que se tinha era a preocupação de cruzar com os da mesma raça – quando eram de raça. As únicas raças que eu conhecia quando era criança eram o poodle (sem variações de tamanho), cocker, beagle (do Snoopy) e o collie (da Lassie). Depois surgiu o cofapinho, por causa da propaganda.

Hoje eles são frescos, comem ração especial, dormem em camas especiais, usam coleiras, pingentes, perfumes, sapatinhos, capas de chuva… O que aconteceu de lá pra cá? Não sei que estranho movimento social foi esse, sei que essa onda irresistível me atingiu também. Eu, que não sou das mais frescas com cachorro, tenho uma linda vira-lata* que come uma mistura de dois tipos de ração, tem colerinha de couro com pingente identificador e amanhã ela será castrada. Sem dizer que me pego chamando a Dúnia de filha.

Um amigo meu acabou de me mandar um e-mail dizendo que se um político, ao invés de beijar crianças, resolvesse beijar um cachorro, a eleição estava ganha. Pior que ele tem toda razão.

* tem gente que prefere usar a sigla SRD – sem raça definida. Eu prefiro o termo vira-lata, acho mais romântico.

3 comentários sobre “Cães

  1. Você esqueceu o pequinês, tínhamos um em casa, quando eu era criança. Sinceramente, acho um exagero como as pessoas tratam cachorros. Faço mais a linha dura e eles que se recolham ao lugar deles, de… cachorros, oras!

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