Minha doença preferida

Os livros de psicologia corporal alertam: cada parte do corpo que adoece tem um significado diferente. Tenho a impressão que a medicina oriental pensa a mesma coisa. Pra mim, isso é uma verdade que meu corpo não pára de atestar.

Até a adolescência, tinha uma dor de garganta crônica. Por causa disso, minha mãe me acostumou a tomar refrigerante à temperatura ambiente toda a vida. Pelo menos uma vez por ano eu ficava completamente sem voz. A interpretação da dor de garganta é clássica: muito sapos entalados. Pois bem: foi só começar a fazer terapia, ou seja, a começar a falar dos meus sapos, que nunca mais tive dor de garganta. No máximo, um incômodozinho de vez em quando.

Já tive muita gastrite e agora não tenho mais. Já fui de torcer muito o pé direito e agora não torço mais. São fases, em cada uma com uma maneira preferida de adoecer. Agora voltei a ter problemas com o meu ombro, coisa que há uns 10 anos não tinha. Semana muito tensa, pilhas de coisas para fazer, responsabilidades… plec! Um movimento à toa e estou toda dolorida. Como aconteceu na segunda. Só porque tinha que reescrever o projeto, enviá-lo na segunda, um seminário que não acaba nunca…

Já percebi também que adoeço porque nunca me dou folga espontaneamente. Pra poder dizer: não pude ir porque fiquei com torcicolo, tive intoxicação alimentar, quase morri… como me aconteceu uma semana após a outra, sempre de maneira a me obrigar a faltar a aula de quinta à tarde! Já dizer para si mesmo: não vou porque estou cansada e perto do meu limite… isso é muito difícil, pelo menos para mim!

Hoje deixei de acordar cedíssimo para fazer a minha série de musculação, aeróbico e aula de Balance, como faço todas as quartas – depois volto correndo e saio de novo para a aula da tarde. Resolvi me dar esse tempo (com a consciência pesada), para que o ombro que fez plec na segunda-feira continue quietinho… E que corra tudo bem na aula em que todos vão criticar o meu projeto (glup!)!

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